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25/09/2014

FGV busca novo diretor para escola de administração

Fonte: Valor Econômico

A Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (Eaesp-FGV) está em busca de um novo diretor. Como aconteceu na eleição de Maria Tereza Leme Fleury em 2008, a escola está anunciando o posto nos principais jornais do país e, na próxima semana, começa uma campanha também em revistas internacionais. Até o dia 15 de outubro será elaborada uma lista com os pré-candidatos. Em seguida, eles vão precisar apresentar um plano de trabalho para a instituição, que será submetido a uma comissão julgadora. Capitaneando o processo está a atual diretora, eleita presidente do comitê que escolherá seu sucessor ou sucessora. "Meu telefone não para de tocar."

Até a eleição de Maria Tereza, o diretor da escola era escolhido pela congregação e "prata da casa". Em 2008, houve uma mudança no regimento interno, o que abriu espaço para que a busca acontecesse dentro e fora dos domínios da FGV. Na época, a Heidrick & Struggles, uma empresa de seleção de altos executivos, foi contratada para encontrar candidatos no mercado. No total, foram 70 pretendentes à vaga. "Desta vez, nós mesmos estamos buscando os nomes", afirma a diretora. O comitê julgador é formado por cinco pessoas, três indicadas pelo conselho da Fundação e dois pela congregação.

Entre os pré-requisitos estão a experiência na vida acadêmica como professor ou pesquisador e o domínio da língua portuguesa. "Embora a vaga esteja aberta também para estrangeiros, é fundamental que o candidato fale português. Só assim ele vai ter uma boa compreensão da cultura do país e da própria escola", diz Maria Tereza. Já a legitimidade no meio acadêmico ajuda no trânsito com escolas de negócios internacionais.

Diferentemente dos dirigentes de instituições de ensino dos Estados Unidos ou Europa, a conexão com o mundo corporativo é importante, mas não essencial. "Lá, eles precisam levantar fundos para as escolas", afirma. No Brasil, a relação com as empresas é mais voltada para a atração de alunos e para a realização de projetos.

Entre os desafios que o próximo gestor deve enfrentar está investir mais na internacionalização de professores e alunos. Atualmente, dos 250 docentes, 110 trabalham em tempo integral e os demais atuam em regime parcial. Entre eles, 10 professores fixos são estrangeiros. "Eles são contratados pela Eaesp, mas mantêm o vínculo empregatício com as suas escolas de origem", diz. Em relação aos atuais três mil alunos - que frequentam os cursos de graduação de administração e administração pública, de educação executiva, o One MBA e os mestrados e doutorados profissionais -, 250 vêm de fora. "Nosso objetivo é aumentar essa diversidade trazendo mais estrangeiros e também brasileiros de diferentes regiões do país", diz.

Outro tema que deve estar na agenda do novo comandante é a inovação na metodologia de ensino. "Queremos continuar apostando no ensino 'blended', onde há uma mescla do presencial ministrado em sala de aula com matérias on-line". Ela afirma que a maneira de ensinar deve mudar e que é preciso acompanhar essas mudanças não apenas customizando os cursos para o perfil dos alunos, como ampliando o uso de ferramentas modernas em sala de aula.

A reforma no prédio da rua Itapeva durante a sua gestão teve o objetivo de modernizar a infraestrutura da escola. "Hoje, contamos com algumas salas de aula diferentes do tradicional. Precisamos investir cada vez mais na mudança do ambiente de aprendizagem". A familiaridade da nova geração com a tecnologia e a facilidade para adquirir informações sobre quase todos os assuntos, em sua opinião, vão requerer outra postura dos educadores. "Nosso papel hoje é muito mais o do influenciador, aquele que vai ajudar o estudante a refletir e a fugir do trivial". Ela defende que a escola também precisa ampliar a sua conexão com a sociedade, realizando pesquisas menos acadêmicas e mais aplicadas em seus centros de estudo.

Depois que passar o bastão, o que deve ocorrer até o fim do ano, Maria Tereza pretende continuar ministrando aulas na FGV, orientando pesquisas na FEA/ USP e realizando trabalhos acadêmicos com a Universidade de Cambridge, além de participar de grupos que desenvolvam projetos sociais para o Brasil. "É um momento de renovação pessoal. Quero contribuir na discussão dos temas que me interessam e que são importantes para o país, como a educação", diz. "Chega um momento na vida em que é preciso fazer isso."

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